Conhecido como Guy, Gutemberg Santana, é um típico jovem urbano que têm na história de luta da família a herança do interior. È um poeta nato, que quando percebe se enveredou pelo cordel, que têm um comprometimento com sua escrita e poema que flui espontaneamente. Guy escreve uma poesia livre, o que não lhe impede de ser um dos grandes cordelistas dessa nova geração, influenciada pelas oficinas de poesia de Zeca de Magalhães. Sua escrita é um exercício de expressão de sentimentos e impressões, “que pode ser uma bagunça organizada”.
No primeiro momento, Guy não rotula o estilo que prosseguirá a escrita, nem ao menos define o tema, eis que a linguagem poética surge.
Assim aconteceu com seu primeiro ensaio que falava sobre uma janela, inicialmente era uma atividade de casa para praticar a escrita,
porém sem negar sua infância e história da família,
o jovem urbano, que sempre conviveu com as histórias da família, espalhada por Rafael Jambeiro, Cachoeira, São Roque, Castro Alves, da avó Maria Pequena que teve 21 filhos, o avô a quem seguia quando passava as férias em sua
companhia com a faquinha amolada na cintura e o chapéu de couro na cabeça, aparecem e influenciam sua escrita. “Janela de casa de taipa” foi o titulo dado depois de aperfeiçoado e ajeitado na métrica do cordel,
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escrito de uma forma que se fala “mulé para mulher, di para de”, mas ele não se agrada muito com a rigidez da métrica, assim adiante continua a escrever cordel, porém a partir do segundo sai um pouco, não faz só em sextilha e brinca propondo inovações, baseia-se no ícone cordelista baiano o Cuíca de Santo Amaro que produzia muito e saia da métrica, como Cuíca, Guy se preocupa em transmitir a idéia. Nos seus poemas cordelistas, podendo ser denominado urbano, como “A briga do Bico de pato e a Piranha”, além da referencia ao cotidiano dos bairros populares, encontramos quem aprendeu a partir do cordel, pelo sentido de representatividade cultural humana, com o contato com o interior, a achar essa arte bonita...Ele cita o ditado “Quem gosta de pobreza é quem nunca foi pobre” mas se refere ao cordel como o perceber que nisso tem uma beleza própria, poeticamente,uma beleza diferente do padrão urbano,que isso enquanto arte tem uma estética, que pode ser uma estética de valorização e resistência. Guardados na lembrança e influenciando sua construção de identidade poética, estão os repentistas conhecidos ainda na infância e os que circulam no Mercado Modelo, os amigos que pensam “essa poesia de sair do lugar comum”, O Patativa do Assaré, Queiroz
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Tranquilino, Jotacê Freitas, Barreto, os que ele chama da sua geração de “trocar figurinhas” e que também têm se inspirado com sua produção, criticando, produzindo junto como Catarina Bandeira, Magrelinho, Ailton, Vinicius e Tâmara, entre outros, frutos de oficinas que ele gosta de chamar de rodas poéticas com o grande poeta livre Zeca de Magalhães, ou com ele mesmo, além dos inúmeros parceiros que surgem a cada nova roda poética, nas cidades (Andorinha,Valença, Sr do Bonfim, Juazeiro..) e bairros por onde passa.Têm o compartilhar o amigo e parceiro de escrita Serjo Bahialista, que juntos escreveram “Pelejas das línguas” entre outros cordéis, incluindo um cordel que foi censurado num concurso por a bancada achar que alguns versos ofendiam os interesses dos participantes, propuseram reedição, mas na fúria do corte de liberdade de expressão eles tiraram seu nome.
Texto por Roselí Araújo
Contatos de Gutemberg Santana:
Cel: +55 71 8804.3225
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