André Lira – Qual a diferença entre o Cordel Tradicional e o “Cordel Remoçado”?
Antônio Vieira – O 1º cordel escrito no Brasil foi de Silvino Pirauá Lima (transcreveu uma prosa para a forma cordel), intitulado “ Zezinho e Mariquinha” (aventura de bravura – ficção) e desde de então os escritores/poetas cordelistas desenvolveram seus textos segundo a linha do imaginário, criando personagens e situações fictícias, para explicar e educar.
Eu percebo que através do cordel é possível retratar fatos históricos que escapam a história e literatura “oficial”. Essa história e literatura se restringem à cúpula dos movimentos, deixando de lado particularidades que representam o papel do povo na história. É nesses fatos que procuro me concentrar a exemplo da Revolta dos Alfaiates, onde me proponho a falar de Manuel Faustino. Ou seja, me sirvo de fato histórico real, de um personagem também real e construo o poema.
Existem varias classificações a cerca dos gêneros dos cordéis (jornalísticos, fantasia, mal-assombrado, etc.). O cordel que escrevo se encontra entre cordéis da escola realista. Ele ultrapassa a história contada co a peculiaridade de cada em dos seus personagens ( que são reais).
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Esta é a diferença entre o cordel tradicional e cordel pautado na realidade da vida (o cordel remoçado), cordel este que me proponho a escrever. Pois, vejo a história, antes, como herança particular de cada indivíduo.
A. L. – O termo “remoçado” significa, a meu ver, remodelar, repensar... Além do foco temático, a também alguma modificação na construção dos versos, ou ao declamá-los?
A. V. – Na escrita produto manter a herança cultural, ou seja, usando o martelo, e outras formas de construção. No entanto, incorporo a música como um todo que transcende as barreiras e os preceitos, declamo/canto os meus versos em vários gêneros e formações musicais, trazendo para o meu trabalho a música como linguagem que expressa e diz.
A. L. – Dentro do enfoque histórico/realista, o que o senhor busca abordar nas entre linhas?
A. V. - Pois é, nas entrelinhas dos cordéis há muito do que se pode imaginar.
O foco maior do meu trabalho esta concentrado na história de Santo Amaro (mais de trinta obras). Ponto que busco abordar é o víeis da religião, numa perspectiva mítica e moral.
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Acredito que a educação só se completa com o conhecimento religioso – não o conhecimento da Igreja Católica – (a contraposição da filosofia só tomou como base a Igreja Católica).
O homem deve ter (enquanto necessidade) tais leis morais intrínsecas e aplicadas ao cotidiano para doutrina e lavar o homem à elevação espiritual. Como o exemplo do código de “ hamurab”).
Acredito que a Igreja (Católica) deturpou os códigos e fez com que a ciência se rebelasse (de um lado o dogmatismo da igreja, do outro lado com a razão total).
A religião no meu trabalho tem um objetivo integral (moral, religioso e intelectual).
Entrevista realizada por André Lira |
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